«VIVER E MORRER POR AMOR...»
NICOLA D’ONOFRIO

Estudante camiliano
 
 

OS PRIMEIROS ANOS
Nicola d’Onofrio nasceu em Villamagna, Diocese de Chieti - Abruzzo (Itália) - no dia 24 de março de 1943. Foi batizado na Igreja paroquial de S. Maria Maggiore no dia 27 de março sucessivo, recebendo o nome de Nicola. Seu pai chamava-se Giovanni. Homem moralmente íntegro, trabalhador tenaz do campo, cheio da sabedoria popular da gente do campo das antigas famílias do Abruzzo. Religioso, pio e austero, como são normalmente os homens dessa região italiana. A mãe - Virginia Ferrara - era uma mulher forte e delicada, eleita pela piedade e espírito cristão. Soube incutir no filho o culto da religiosidade da vida, delicadeza e uma notável gentileza e serenidade de espírito.
Recebeu o sacramento da Crisma no dia 17 de outubro de 1953, e três anos antes - no dia da festa do Corpus Domini, 8 de junho de 1950 - a Primeira Comunhão. Freqüentou a escola primária de Villamagna, na vila Madonna del Carmine, destacando-se pela diligência, bondade e disponibilidade para com os outros, como confirmam a professora e os colegas. Não esqueceu o serviço do Altar da igreja paroquial, onde se dirigia também no inverno, apesar da sua casa se situar a vários quilômetros, na divisa com Bucchianico , terra natal de S. Camillo de Lellis.


 

NO SEMINÁRIO EM ROMA

Um sacerdote da Ordem de S. Camillo, o padre Santino, seu conterrâneo, dirigiu-lhe o convite para entrar no seminário camillianode Roma. D’Onofrio o acolheu com alegria e logo manifestou aos pais a sua decisão. Estes se opuseram. A mãe, porque queria que entrasse no seminário diocesano da cidade vizinha, Chieti. O pai, porque via que iria perder fortes braços para o trabalho no campo, sendo Nicola o primeiro de dois filhos - o outro, Tommaso, era mais jovem - já trabalhando em úteis serviços da casa e do campo, próprios para a sua idade. Também duas tias solteiras, irmãs do pai, que viviam com a família, o adulavam dizendo que o fariam único herdeiro, se ficasse. Toda a vida de Nicolino foi de uma simplicidade genuína.

A oposição da família durou um ano. Tempo esse que Nicolino viveu em oração e estudo, e finalmente obteve a permissão de entrar no Studentato Camilliano de Roma. Era o dia 3 de outubro de 1955 quando entrou, festa de S. Teresa do Menino Jesus, que se tornará depois sua guia espiritual. No concorrido seminário, como ainda o eram naqueles tempos estes centros de seleção ao sacerdócio, o jovem Nicola não escapou à observação de quem devia colher os sinais de uma vocação certa. Logo se percebeu uma seriedade de intenções em trabalhar sobre si mesmo, entregando-se totalmente aos Superiores na direção do espírito. Dois anos depois tomou conhecimento que o pai queria que voltasse para casa. Escreveu, então, uma forte carta comunicando a sua irremovível vontade de continuar para o sacerdócio na Ordem Camiliana, custasse o que custasse. Várias as motivações apresentadas para sustentar a sua decisão, entre tantas o pensamento de S. João Bosco: “A mais bonita dádiva para uma família é ter um filho sacerdote”.[1]


 

NOVIÇO

No dia 6 de outubro de 1960, vestiu o Hábito dos religiosos de S. Camilo, iniciando assim o ano do noviciado. No final do curso de exercícios espirituais, dessa etapa muito importante da sua vida, escreveu: “...Jesus, se um dia terei que abandonar como tantos o hábito santo, faça que eu morra antes de recebê-lo pela primeira vez; não tenho medo de morrer agora, estou na tua Graça. Que coisa suave poder ver-Te junto à Tua e minha mãe: Maria!”.[2]

Durante todo o ano do noviciado registrou no seu “Diário” propósitos e pequenas conquistas, momentos de luta e de aridez. Nesse escrito se evidencia a vontade firme de continuar no caminho da chamada divina, entregando-se à ajuda do Céu, sintetizado nessa expressão: “O demônio se vence estando próximo de Jesus e Maria pelos sacramentos e oração.[3]

Já nesse momento vivia intensamente o carisma camiliano. De maneira singular brilha pela assistência prestada a um coirmão de idade, o Pe. Del Greco, gravemente doente por causa de um tumor na garganta. Vale, particularmente, lembrar o que disse ao mesmo sacerdote na Sexta Feira Santa daquele ano: “Padre, una as suas dores àquelas de Jesus agonizante... hoje é Sexta Feira Santa, dia bonito para o senhor que sofre junto de Jesus”.[4]


 

PRIMEIROS VOTOS RELIGIOSOS

Na manhã do dia 7 de outubro de 1961, festividade da Beata Virgem do Rosário, pronunciou, com validade de três anos, os votos de Pobreza, Castidade, Obediência e Caridade para com os doentes, mesmo que contagiosos, depois de um intenso ano de preparação, considerado ótimo pelos Padres Capitulares . Teve início, naquele dia, o período de formação como Religioso Professo Camiliano. Sereno e feliz, disponível para com todos, observante da vida em comum, assíduo nas orações e diligente nos estudos, com humildade e simplicidade, sem assumir comportamentos atípicos ou teatrais.

Os seus superiores diretos - o Provincial, padre Andrea C. e o Mestre dos clérigos padre Renato D. - são os seus guias e testemunhas do seu progredir, lento mas constante, ao cimo do Monte Santo de Deus. Teve um amor ardente para Jesus Eucarístico, que recebia diariàmente e visitava freqüentemente de dia na igreja do seminário, ou da Universidade Gregoriana. Matriculou-se também na “Guarda de Honra ao Sagrado Coração de Jesus”, escolhendo o horário das 8:00 às 9:00 horas como seu momento de reparação.[5] Tinha uma filial e tenra devoção para a Virgem Maria, sem cair nunca em banais e superficiais sentimentalismos. Uma acesa devoção para S. Teresa do Menino Jesus,levou-o a assumir a espiritualidade da pequena via.


 

NO CARISMA DE SÃO CAMILO

Um amor profundo ao seu Pai e Fundador S. Camilo, estudando profundamente o seu espirito ,sonhando intensas jornadas de trabalho no serviço dos doentes, quando no futuro se tornaria sacerdote. Não tinha medo de manifestar a todos o seu ardor para a vocação camiliana. Diligente nos estudos, aplicava-se seriamente nas tarefas escolares, cultivando estima e afeto para os professores. Era dócil e atento, ansioso para compreender a ciência que lhe era apresentada, considerada necessária para desenvolver dignamente o seu sacerdócio no serviço dos irmãos sofredores.

No breve período de vida como estudante religioso camiliano, demonstrou grande amor e apêgo à sua nova família, declarando-se feliz de permanecer na Casa religiosa, saindo pouco, e dedicando seu coração, talento e tempo às várias necessidades da comunidade religiosa.


 

A DOENÇA

No fim do ano de 1962, começou a sentir os primeiros sintomas do mal que o levaria à morte aos 21 anos de idade. Submeteu-se obediente às decisões dos superiores e dos médicos desde o primeiro momento. No dia 30 de julho de 1963, foi operado no setor de urologia do hospital S. Camilo de Roma.[6] O exame histológico da parte extirpada deu uma clara resposta de um final já marcado para um breve prazo: teratosarcoma.[7]

O período pós-operatório na casa dos capelães do mesmo hospital revelou um doente paciente e sempre sorridente, atento a não disturbar os coirmãos atenciosos para com ele. Sucessivamente, no dia 19 de agosto, foi internado no Policlinico Umberto I da capital para a cobaltoterapia na região subtorácica, com a secreta esperança do médico, dott. Mario L., de circunscrever o mal. Desde o dia 24 do mesmo mês continuou essa terapia no ambulatório do mesmo hospital.
O seu comportamento nesse período é de grande exemplo para todos pela paciência que tem em suportar as dores, e a disponibilidade que manifesta em fazer a vontade de Deus, seja qual for. Que soubesse, ou ao menos suspeitasse, de ter um mal de uma certa gravidade desde o verão anterior, se pode deduzir de uma anotação achada entre os seus papéis, onde escreve: “Fim de junho: em 2-3 dias toma proporções desmedidas. Tratamento com penicilina e “Strepto” dissolvidas com vitaminas B e C”, e mais adiante - além das datas de baixas e cirurgias nos dois hospitais romanos - escreve: “...12-08 Inicio de aplicações de raios y e não y (200 ao dia)...20-08 7ª aplicação, 2 chapas dos pulmões e análises de sangue... 23-08 10ª aplicação, 22 chapas do aparelhodigestivo...”.

No recomeço do Ano Acadêmico, no outono, os Superioreso matricularam no primeiro ano de filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana, apesar de já estar tomado profundamente pelo câncer.[8] Também nesse ambiente - para professores e colegas - se evidencia a sua diligência, serenidade e bondade de ânimo.

No começo de janeiro de 1964, foi feita mais uma radiografia no tórax. O pulmão direito apareceu invadido quase completamente pelo câncer.[9] D’Onofrio percebeu definitivamente o seu real estado de saúde, mesmo se ninguém ainda lhe tivesse falado da gravidade de sua situação, aliás todos concorriam para esconder e simular as suas condições, já então sem esperança. Isso se deduz da conversa que teve com o seu irmão Tommaso, em que acenava da certeza de sua próxima partida deste mundo, expressando sòmente preocupação para a grande dor que a mãe iria sentir.[10]

No final do mês de março daquele ano, pediu para ter uma conversa com o superior provincial para que lhe falasse claramente sobre o seu verdadeiro estado de saúde. Acuado, o superior não pôde esconder a verdade, apesar de falar também de grande esperança e sobretudo da grande confiança na bondade e no poder de Deus, que tudo pode operar, mesmo um grande milagre como aquele que ele precisava.
Conhecida a realidade não reagiu com desespero, mas depois de um momento de intensa reflexão passado quase totalmente na frente de Jesus Eucarístico na igreja do seminário, retomou o seu sorriso normal e intensificou a oração, dando ênfase à meditação. Nas conversas com amigos sobre a realidade de uma morte iminente, não evitava o assunto, e nem dramatizava, mas enfrentava com serenidade e frieza. Quem estava perto dele lembra da sensação de estar lidando com alguém que já vivia da realidade do além como presente já da sua existência, que cedo demais estava indo para o ocaso. Lembram ainda vivamente do seu jeito de discorrer sobre a outra vida com calma e serenidade, sem fanatismos, e que um grande espírito de fé iluminava a sua existência, que ele continuava a conduzir na normalidade, participando da vida em comum do seminário camiliano. Com a secreta esperança de alcançar um grande milagre, os Superiores o enviaram em peregrinação a Lourdes e a Lisieux. D’Onofrio obedecendo foi, principalmente com o objetivo de pedir a ajuda da Virgem Imaculada, e da sua grande pequena Santa Teresa, para cumprir a vontade de Deus até as conseqüências mais extremas, serenamente unido à Cruz de Cristo. É o dia 10 de maio: faltam apenas 33 dias para seu encontro com Deus na eternidade.


 

TOTALMENTE DE DEUS

Com a licença “super triennium”, o Papa Paulo VI de venerável memória concedeu-lhe de professar os Votos Perpétuos. Nas festividades de Corpus Domini, no dia 28 de maio, na igreja do seminário camiliano romano, consagrou-se ao Deus eterno: último ato de amor de uma breve vida intensamente vivida “orando e amando”. Na manhã do dia 5 de junho, festividade do Sagrado Coração de Jesus, em plena consciência, aceita receber a Unção dos Enfermos, como lhe havia aconselhado o superior provincial. Momento de intensa comoção para os numerosos coirmãos no final da Santa Missa celebrada no quarto onde vive há alguns meses, no andar térreo, para facilitar-lhe os movimentos na cadeira de rodas, e onde recebe as visitas da mãe e dos numerosos amigos.
Os últimos dias da sua vida terrena são um terrível, dramático e contínuo sofrimento. O câncer que avança e toma conta dos pulmões, além de dores terríveis lhe causa momento de sufocamento. Nicolino vive heròicamente o sofrimento junto à cruz de Cristo , invocando a ajuda de Maria e dos santos. Camilo e Teresa do Menino Jesus, sempre sereno e nunca se deixando levar ao desespero, atento em não provocar incômodo para quem o assistia, e esforçando-se para esconder quanto possível a inevitável máscara de sofrimento , para evitar dor à mãe que lhe estava- perto. Também para quem o conhece desde pequeno, essa extraordinária entrega à Vontade de Deus desperta admiração e devoção.


 

UMA FLOR NO CORAÇÃO DE DEUS

Chegou o último dia para Nicolino em 12 de junho de 1964. Uma longa agonia que inicia às 16:00 horas, para encerrar-se às 21:15 horas, depois de um dia passado em oração e manifestações de intensa fé e ardente amor para Jesus e Maria, com a ajuda dos seus dois Santos prediletos, e o conforto da oração comovida dos coirmãos e amigos. O seu superior ainda hoje lembra os seus últimos instantes assim: “Eu entoava as orações, que eram respondida por todos os jovens coirmãos, reunidos ao seu redor no seu quartinho, com ânimo cheio de fé. De vez em quando ele nos animava dizendo: mais, mais... mais forte!, e misturava às nossas invocações algumas suas particulares, que revelavam a sua fé viva na presença de algo ultra sensível perto dele”.[11]
Esse contato com o “ultra sensível” foi notado também por alguns que estavam presentes ao trespasse. As portas do Céu se abriram para ele enquanto, lúcido até o fim, repetia em continuação o ato de oferenda da própria vida e do seu sofrimento, recusando os analgésicos, e incitando os presentes a orar com ele e para ele. Uma coerente conclusão de vida com aquilo que tinha se proposto viver. A profunda impressão que fora consumada uma Paixão se revela nas simples palavras de uma mulher do povo, amiga da família desde sempre: “O médico, percebendo que tinha morrido, abriu a porta e chamou a mãe: Senhora, eis seu filho!, quase fosse a Nossa Senhora recebendo o filho Crucificado”.[12]

Um dos coirmãos ligado a Nicolino por profunda amizade, escrevia nos dias seguintes à morte: “Agora aqui entre nós ficou sòmente um caule truncado, o seu caule. A flor voou até o coração de Deus. Por isso que, pensando ou falando de Nicolino, naturalmente olho para o alto, desnorteado, inclinado. O meu herói! Tinha entrevisto, sonhado o ideal da santidade, nunca tinha alcançado, porque para tocar uma coisa tem que estar perto, e para que a admiração seja sem sombra, tem que se poder imitar o herói que a inspira. Toquei no meu herói, e depois... pareceu fugir. Mas como Teresina com Celina, eu creio que ele caminhará sempre ao lado de quem soube descobrí-lo. Amo-o, já é o meu pequeno grande Santo, com a sua e minha Teresina”.[13]


 

NA ESPERA DA RESSURREIÇÃO 

Presente no sagrado rito fúnebre uma multidão de coirmãos, amigos, conhecidos. Os aflits e dilacerantes pedidos da mãe induziram os superiores a conceder que os restos mortais de Nicola D’Onofrio fossem enterrados em Villamagna, sua terra natal, no jazigo da família. A última viagem de volta à sua aldeia aconteceu o dia 15 de junho, acompanhado pelos superiores e coirmãos.

Depois da solene celebração eucarística, que contou com a participação de toda a população, foi sepultado na Cappella Ferrara, da família da mãe. Desde o dia 8 de outubro de 1979, Nicola D’Onofrio repousa nos arredores da Cripta do Santuário S. Camilo em Bucchianico, à vista da sua casa natal, reunido à sua família religiosa, na espera da ressurreição no último dia quando voltará o Cristo triunfador sobre a Morte.


 

...E VEM DE LONGE!

Aqueles que o conheciam intìmamente, ou sòmente tiveram oportunidade de ter contato com ele na fase conhecida por todos do rápido fim, enfrentado com serenidade e o sorriso nos lábios, dão testemunho que foi um comportamento excepcional. E não foi improvisado, nem superficial. A sua ascensão ao Monte Santo de Deus vem de muito longe.

As páginas dos seus escritos originais nos revelam este caminho iniciado desde os primeiros momentos de sua vida no seminário camiliano. A fase terminal de sua vida e a morte são somente o momento revelador de sua dimensão espiritual.

A HERANÇA ESPIRITUAL

A extraordinária emoção afetiva e religiosa que acompanhou o seu fim, tornada mais dramática pelos terríveis sofrimentos provocados pela doença, deve seratribuída à verdade “que no sofrimento um homem se torna completamente novo... quando esse corpo é profundamente doente, totalmente inábil e o homem é quase impossibilitado de viver e agir, mais ainda se destacam a maturidade e grandeza espiritual interior, constituindo-se em uma comovente lição para os homens sãos e normais”.[14]

Exceto casos esporádicos de incompreensão, todos advertiram que naquela alma Deus tinha provocado umas respostas extraordinárias, e o caminho tinha sido veloz até a Santa Montanha. Uma religiosa sua coetânea e amiga de infância escreveu que quando soube do seu falecimento sentiu ressoar no seu coração as palavras da Sabedoria : “Chegado em pouco tempo à perfeição, completou uma longa carreira; e sendo sua alma aceita a Deus, por isso foi tirado às pressas do meio da malícia”(4,13-14a).

Um final de vida assim não pode ser improvisado. Vem de longe, e o tempo da morte é somente a ocasião da revelação do trabalho interior desenvolvido. E ele o construiu fundamentalmente sobre a Cruz e a Paixão do Senhor Jesus, com o olhar dirigido sempre para a Glória da Ressurreição. Testemunham isso os seus “Escritos”[15] e aqueles que o freqüentaram.


 
 

DOS SEUS ESCRITOS

A chave de leitura reveladora da sua caminhada aparece logo no início da sua nova vida no Seminário menor, quando escutando uma meditação sobre o amor de Deus Pai para o Homem, durante os Exercício Espirituais anuais, escreve: “Podemos dizer que não se importou muito com o seu Filho unigênito para nos salvar. Jesus morreu para nós e o seu sangue, até a última gota, lavou a nossa alma. Quanto amor teve por nós Jesus!”[16].

Uns meses mais tarde, ao final do Retiro mensal, assim destaca a meditação ditada: “Jesus veio na terra para dar glória ao Pai que o tinha enviado, e para chegar aqui “exinanivit se”, aniquilou-se. A Encarnação, a Crucificação, a Eucaristia, são atos de aniquilamento por amor de nós e glória ao Pai. Vindo na terra Jesus nos deu o exemplo do aniquilamento; agora nós temos que seguí-lo para dar ao Coração Santíssimo a glória que merece para compensar o seu amor”.[17]


 
 
...Cristo Crucificado, o seu modelo
O Cristo Crucificado entra na sua vida, e se torna o seu livro diário. A vida religiosa, iniciada com o Noviciado no Véspero do dia 6 de outubro de 1960, é um bom treino do espirito que o leva à convicção de que é necessário o controle da faculdade humana essencial à ascensão, a vontade. Por um ano inteiro as mensagens que os guias do espÍrito enviam-lhe, o encontram bem disposto à véspera da Consagração a Deus com os primeiros votos religiosos.
Assim ao final do primeiro dia de exercícios espirituais, escreve: “A vontade deve ser tenaz, plena, heróica na ascensão. Uma vontade que não mude de direção conforme o vento, mas continue fiel aos princípios do Cristo crucificado. Que não se perda em tantas futilidades da terra, mas se mantenha sempre clara e forte em sustentar e fazer progredir a nossa corrida para Deus. A nossa ascensão precisa também de uma vontade heróica porque o fim é difícil. Miramos à imitação de um Cristo crucificado, que não apresenta senão a Cruz para abraçar diàriamente. Além disso, heróica porque a nossa ascensão não é por etapas, mas contínua e comprometida, uma ascensão que deveria consumar-nos inteiramente. Mas para podermos alcançar isso, são indispensáveisa Confissão e a Direção espiritual.”[18]

Não porém nessa confissão registrada imediatamente depois da anterior: “Passaram as festividades da Páscoa. Quantas impressões! Para mim foi uma alegria inestimável poder seguir, aliás participar, assim tão de perto das sacras funções da semana santa. Mas conservo uma particular lembrança dos acontecimentos nesse período. Fiquei feliz de poder assistir ao caríssimo padre Del Greco na noite entre quarta e quinta feira santa. Naquela noite teve a adoração a Jesus de onze até meia-noite aqui em casa. Eu fiz isso ao lado de Jesus sofredor na pessoa do padre. (Fiz nessa intenção mesmo). Agora parece que está melhor, tomara!”[19]

O sacerdote camiliano que ele assistiu, operado de um tumor à garganta, completou depois quanto o D’Onofrio não escreveu nos seus “Apontamentos Espirituais”: “Estava quase morrendo e o clérigo D’Onofrio me assistia e confortava dizendo-me: ‘Padre, una as suas dores àquelas de Jesus agonizante. Hoje é Sexta Feira Santa, que dia bonito para o senhor que sofre junto de Jesus!’ Nunca esqueci aquelas palavras, que o nosso clérigo me sugeria com tanta amabilidade e fé”. [20]
 
 

...e como mãe, Maria Imaculada
Ao lado do Cristo Crucificado, Nicolino nutriu uma afetuosa e especialíssima ligação filial com a Mãe, Maria Imaculada. Nos seus Scritti, e no leito de morte, tem expressões tenras e doces que devemser consideradas na dimensão de uma relação íntima e secreta da alma, que exigem respeito e grande consideração, na mesma medida que temos contemplando relações similares dos Santos, que a Igreja nos aponta como modelo.

Vamos transcrever um trecho: “Estou cansado, diria até desanimado... A vida de Noviciado me pesa... Porque? É o inimigo mortal da minha alma que cansa, é o Senhor que me purifica. Quando terá fim esse lugar de exílio?... “Ai, dura terra...” Quero morrer logo, se Deus querer, para voar nos braços da minha Mãe. Quero ir repousar no Céu. Sim...Mãezinha doce... Eis que lentamente a serenidade volta ao meu ânimo e posso mirar mais longe... É essa a vontade de Deus. “Tota vita Christi crux fuit et martyrium...” e eu o que quero? Fazer o senhor. Não, não, não. Mas tudo por vós Jesus, Maria!”[21]
 
 

...na “pequena via” de S. Teresa
Um dos modelos intermediários que guiaram o seu caminho até o Senhor, foi Santa Teresa do Menino Jesus e do Rosto Santo. A sua “pequena via” tornou-se o código de comportamento de sua vida. Em uma carta à mãe, preocupada com as possíveis penitências impostas pela vida religiosas, Nicolino, para tranqüilizá-la sobre a normalidade e a simplicidade das tarefas diárias, assim lhe escrevia: “... Tudo se faz para o Senhor, pelo seu amor. Não há porque fazer coisas extraordinárias, como penitências excepcionais, dormir no chão... Santa Teresinha do Menino Jesus, uma irmã carmelita francesa, não fez nada de especial durante a sua vida, não fez nada de particular, fez somente aquilo que tinha que fazer; aos 24 anos morreu de tuberculose e tornou-se santa...”.[22]

Escrita a mão por ele mesmo temos uma “Preghiera” (“Oração”), que tem que ser de uma alma mística. Não temos certeza que seja a Santa de Lisieux. Reportamos um breve trecho porque ilumina o nosso assunto amplamente: “... Dai-me o tormento, dai-me o martírio de amor somente e sempre aquilo que agrada mais a vós, somente e sempre aquilo que demais vos agrada para possuir-vos sempre perdidamente. ...Eu estou apaixonada por Jesus Cristo, Afaste-se de mim qualquer outra alegria, qualquer outro desejo que não seja para o meu Dileto Esposo Crucificado. Quero possuir inteiramente, perdidamente o teu Coração dilacerado, estar Nele como encarnado em uma única realidade: apagar-me completamente porque completamente eu seja Tu, Amor. Renunciar sempre, também no jeito mais duro, não mais eu, mas Tu, Tu Amor Crucificado”.[23]
Ao pé da página Nicolino anotou: “Oração que hei de dizer pelo menos três vezes ao dia; possìvelmente de manhã, ao meio-dia e à noite antes de deitar”.

Sobre S. Teresa tinha reunido quanto tinha sido publicado, pedindo diretamente ao Mosteiro de Lisieux as última publicações. Conhecia òtimamente a língua francesa, e aplicou-se para traduzir as Poesias dela. Para completar quanto brevemente estamos escrevendo, relatamos duas estrofes de “Viver por amor”,que nos revelam a sua ansiedade em conformar-se ao seu amado Cristo Crucificado:

“... Viver de amor, sobre essa terra não significa /plantar as tendas no cume do Tabor. /Significa subir com Jesus no Calvário. /Significa ver a cruz como um tesouro! /no céu, viverei de alegria. /A prova então desaparecerá para sempre, /aqui porém quero, no sofrimento /viver de amor! - ...Morrer de amor, é um martírio doce demais, /e é isso que gostaria de sofrer. /Querubins! Acendeis as liras, /porque, o sinto, está para acabar o meu exílio... /Dardo ardente, consumai-me sem trégua, /dilacerai-me o coração nessa triste passagem. /Jesus divino, realizai o meu sonho: morrer de amor!...”.[24]

É esse o segredo da grande emoção, estima e entusiasmo que despertou o seu dramático último ano de vida e a sua passagem ao Céu. Advertia-se amplamente a dimensão espiritual na qual se encontrava submerso, e que o trecho seguinte da última carta escrita aos pais fielmente sintetiza: “Eu estou muito feliz de poder sofrer agora que sou jovem, porque estes são os anos mais bonitos para oferecer (algo) ao Senhor. Santa Teresinha é a santa de quem eu mais gosto porque é muito parecida comigo. Ela também ficou doente quando tinha pouco mais de vinte anos, sofreu muito e com vinte e quatro anos morreu... Pais caríssimos, orai por mim para que o Senhor me deixe melhorar, assim poderei tornar-me sacerdote e trabalhar ainda muito para as almas. Porém, se o bom Deus quisesse algo diferente de mim e de vós, seja bendito o Senhor, porque Ele sabe o que faz e o que é melhor para nós. É inútil, nós não podemos saber essas coisas, somente Deus as sabe...”.[25]

Na lembrança de algumas TESTEMUNHAS

Quem soube ler os sinais que chegaram do seu comportamento diante da suprema prova da vida, acolheu a Mensagem. As manifestações de estima que foram expressas no momento da sua morte e, como já foi dito, se concretizaram em uma extraordinário surto de emoção afetiva e religiosa, transpuseram os limites da Comunidade Camiliana e do tempo.

Não com as nossas palavras, mas com uma breve seleção daquilo que as Testemunhas escreveram para a Postulação Geral da Ordem Camiliana, vamos expor a confirmação do que Nicolino nos deixou em escritos.

...Soldado da Imaculada

Assim a revista da Milizia dell’Immacolata (Milícia da Imaculada) o apresentou aos seus leitores: “Tinha alcançado o terceiro grau da Milícia da Imaculada: o da oferta sem limites; doar-se totalmente a Maria, acolher com fé e generosidade todo o sofrimento para conformar-se ao mistério da paixão e da morte de Cristo, até o martírio. Nicolino, consumido pela dor, se oferecia como vítima para tantos irmãos necessitados de esperança e de salvação. Também se em modo e circunstâncias diferentes, a sua oferta pode ser comparada àquela do Padre Kolbe, que na Imaculada achou a força e o amor para doar-se completamente, não só como pai de família, mas para a humanidade inteira. A morte do clérigo camiliano e o martírio do padre Kolbe têm a sua explicação e a sua mensagem na Palavra eterna do Evangelho... Nicolino, tão jovem e tão sapiente, tinha compreendido muito bem o que padre Kolbe dizia em um seu escrito: “Se vive uma só vez, não duas. Temos que tornar-nos santos, não pela metade, mas totalmente, para a maior glória da Imaculada, e através da Imaculada, para a maior glória de Deus...”


 
 
 

....Sofrimento Redentor
“Via em tudo os desígnios de Deus, dirigia a Ele todas as suas ações e aceitava com alegria as penas e o sofrimento. Me dizia: “O sofrimento é a melhor moeda com a qual podemos comprar o Céu”. A sua morte foi tranqüila, e eu tive a graça de estar presente.
“Nos meses seguintes a sua doença se evidenciou com sempre maior crueldade e Nicolino sofria visivelmente, mas com grande dignidade. Orava muito para os pecadores e via a Paixão de Jesus e o sofrimento de S. Teresinha como modelo para imitar, quase ao pé da letra...Na sua doença soube enfrentar, como Jesus, as etapas de um longo Calvário, indo alegremente ao encontro do Pai no Reino prometido aos servos bons e fiéis. 

“Assistia, naquela noite, o D’Onofrio, e acordei, ao alvorecer, com os seus gritos penosos. Precipitei-me no quartinho; ele, apoiado nos cotovelos, quanto as forças lho permitiam, pedia a a Deus de curar-se: “serei um sacerdote... salvarei muitas almas... cura-me, Senhor, rogo-lhe... Mãe minha intercedei... São Camilo...! Pai, ajuda-me... vamos, rogamos juntos, tenho que obtê-lo, esse milagre... devo curar-me!....”. Levantei-oe o ajudei até acalmar-se, exausto. Depois, em tom mais calmo, e cheio de resignado abandono, disse: “Bem... porém, se não for possível... seja como você quiser, meu Deus!”. Esse é o sentido das suas palavras, mesmo que não as esteja lembrando ao pé da letra. Impressionou-me a maneira de se dirigir a Deus, aquela aceitação última, tanto que não pude deixar de compará-la àquela de Cristo na Cruz, que pede suplicante e termina com a maravilhosa submissão à Vontade do Pai.

Logo os Professores competentes decidiram de intervir com a cirurgia. Dócil e obediente, como sempre, aceitou com espirito de profunda união a Cristo sofredor, como S. Teresinha, atacada pelo último mal, aceitou submeter-se a tão delicada cirurgia... Mas tudo aceitou sem reagir, deixando-se, tão dòcilmente e progressivamente, estender e pregar na sua Cruz... Passou o período de Páscoa recolhido em intensa meditação sobre a Paixão do Senhor, empenhando-se principalmente em resignar-se. De fato não tinha mais dúvida quanto ao seu mal, percebia cada dia mais forte, espalhar-se nos seus membros. Advertia já muito mais cansaço mesmo nas pequenas coisas, porque respirava com crescente dificuldade. Emagrecia dia após dia, mesmo se se procurava todos os meios para sustentá-lo e estimular um pouco o apetite”.

“Mas quis Jesus, Sacerdote Eterno, encurtar-lhe o tempo de espera levando-o logo no cimo do Calvário, onde o nosso Nicolino, tornando-se holocausto por todos, se ofereceu heròicamente a Deus, qual vítima do amor, no exemplo de Santa Teresa do Menino Jesus, que o quis hóspede em Lisieux, na França, pouco antes de passar da terra para o reino dos bem-aventurados, através da porta estreita indicada pelo Evangelho para poucos eleitos.”

“Revi-o no leito de morte. Fiquei impressionado pelo seu rosto. Rosto escarno, sério, seco a todo tipo de luz. A sua passagem foi verdadeiramente de martírio. A sua hora imersa na escuridão. Tinha, Nicolino, saboreado o amargo do Cálice de Jesus. E levava no rosto a marca da careta em frente ao amargo. Penso, agora, à fisionomiado Servo Sofredor de Isaías: “Não tem aparência bela nem decorosa para atrair os nossos olhares, nem esplendor para que nele nos comprazamos” (Is. 54,2). Assim como Jesus também Nicolino “foi eliminado da terra dos vivos” (Is. 54,8).

E terminamos com as expressões de uma amiga da mãe, há anos transferida em Roma, que seguiu e assistiu o jovem estudante camiliano na sua caminhada de sofrimento. Alma simples, assim revivia aqueles momentos, à distância de muitos anos: “Parecia Jesus Cristo na Cruz, sereno e confiante, com a oração nos lábios, chamando Nossa Senhora de “Mãe”. Depois reclinou a cabeça no lado esquerdo, a língua se mexeu um pouco, e sem outros movimentos, assim em serenidade morreu. O doutor verificou o acontecido, abriu a porta e chamou a mãe: “senhora, eis seu filho”, como se fosse Nossa Senhora, a qual foi entregue o filho Crucificado. A mãe se atirou por cima do filho, e depois ajoelhou-se chorando muito...”.
 
 
 

...a sua Mensagem
O título do breve e feliz perfil que foi escrito passados poucos meses da sua morte, Quando l’amore prega[26], era o início de uma das reflexões que Nicola D’Onofrio deixava no papel, para poder depois seguir as indicações longamente. Não se acha mais. Mas o seu Mestre do Seminário maior, que o teve em suas mãos, atesta que “o conceito expressado em quatro breves versos reconduzia ao lema de S. Agostinho: “Ama e faz o que quer”. Em concreto afirmava que quando o amor é comparado com o Amor de Deus, através da oração e da Sua presença, se pode caminhar serenamente para a própria meta.
Quando Deus o convidou a viver como S. Paulo o “Completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo, em favor do seu corpo que é a Igreja” (Col. 1,24), Nicola D’Onofrio não recuou.

Fortemente unido à Mãe de Deus, viveu coerentemente o “Tota vita Christi crux fuit et martyrium”, escrito em uma tranqüila noite de Noviciado, aderindo com força com “Tudo por vós, Jesus e Maria”.

A “nova maternidade”- que a Virgem Maria recebeu do Filho moribundo na Cruz - “espiritual e universal para com todos os homens, para que cada um, na peregrinação da fé, continuasse fiel, junto com Ela, fortemente unido até a Cruz e, com a força dessa Cruz, todo sofrimento regenerado se tornasse, da fraqueza do homem, potência de Deus”[27]em Nicola D’Onofrio realizou-se plenamente, e continua no tempo um esplêndido modelo.

O jovem estudante camiliano, passando através do mistério do sofrimento humano elevado pelo Cristo a nível de redenção[28], com alegria e serenidade, foi e permanece uma testemunha crível de que a escolha feita de viver os Conselhos Evangélicos “manifesta os bens do Céu já presentes nesse mundo, testemunha melhor a nova e eterna vida alcançada pela Redenção de Cristo, e preanuncia melhor a futura ressurreição e a glória do Reino Celeste[29].

Os jovem que têm oportunidade de conhecer a sua breve experiência terrena ficam fascinados. Como exemplo lembramos Marie-Louise, que querendo seguir o convite de João Paulo II em Compostela de “N’ayez pas peur de devenir saint!”, nos escreveu que decidiu de tomar “Nicola D’Onofrio como modelo de vida... procurava um modelo de vida contemporânea e achei na vida desse jovem os desígnios que escolhi seguir faz pouco tempo”[30]. Já faz tempo que Marie-Louise se dedica integralmente em uma das novas instituições de vida consagrada no mundo, ao serviço de Deus através do serviço aos irmãos e irmãs doentes e pobres.

P. Felice Ruffini

Camiliano

RELIGIOSOS CAMILIANOS

MÁRTIRES DA CARIDADE

São Camilo recebeu de Deus o carisma de testemunhar ao mundo o amor sempre presente de Cristo para os doentes e os sofredores. Aos três votos comuns a todas as congregações religiosas “Pobreza - Castidade - Obediência”, quis um quarto, de estar sempre presente “etiam pestis incesserit”, hoje traduzido em “sempre, mesmo com risco de vida”.

Os Religiosos Camilianos Mártires da Caridade nesse primeiros quatro séculos de vida são cerca de 300, e deles se conhecem os nomes de somente 252. Muitos são aquele que sacrificaram a própria vida e são Anônimospor causa da dramaticidade dos momentos em que aconteceram os fatos, que sem dúvida não deixavam espaço para relato jornalístico.

No ano de 1589, alguns anos antes do início da Fundação, em Pozzuoli se tem o primeiro sacrifício em ocasião do atendimento a uma frota de “muitas galeras cheias de milícias espanholas”, atacada pelo tifo petequial, dito também “castrense”. Foram três os religiosos que São Camilo “logo ofereceu as almas suas à sua Divina Majestade como primícias de todos os outros que no futuro com esse novo gene de morte vão sacrificar a vida deles para a saúde do próximo...”.

No ano de 1606, em Nápoles, por causas de febres contagiosas, temos o sacrifício da vida de um jovem de Bucchianico para assistir os doentes no Hospital SS.ma Annunziata: o sobrinho Onofrio de Lellis, ainda Noviço e levado como exemplo para toda Congregação. É o próprio Santo Tio que o assiste até a morte e chora por ele fortemente. Nessa dramática ocasião muitos outros perdem a vida e entram no anonimatode que falamos antes. Os cronistas daquele tempo escrevem que “tantos foram os nossos que morreram, que nem era mais tocado o sino na hora do enterro para não assustar os vizinhos”.

O terrível flagelo da peste que atingiu a Itália em 1656 marca o sacrifício de 96 Religiosos Camilianos em várias cidades, como se evidencia no quadro a seguir. Entre eles o Superior Geral, o padre Marco Antonio Albiti, e os Superiores Provinciais de Roma, padre Luigi Franco, e de Nápoles, padre Prospero Voltabio. Nos Atos de Consulta daquele tempo se acha escrito que “as nossas Casas quase desoladas pela perda dos seus moradores religiosos... está muito abalada a nossa Pobre Religião sem o Chefe e muitos dos seus membros...”, mas inabalável permaneceu a fé no SS. Crucifixo que com amplas promessas disse ao nosso bendito Padre Camilo de Lellis de querer perpetuar o nosso Santo Instituto...”.

As tormentas sobre a “plantinha” de São Camilo passaram e a Ordem Religiosa se fortificou e se espalhou nos cinco Continentes.

Última contribuição de sangue para estar perto ao doente sempre, também com o risco da própria vida, acontece na Espanha durante a bem conhecida Guerra Civil da década de ’30 desse fim de milênio: são 12 os Religiosos Camilianos que “in odium fidei” testemunharam o amor sempre presente de Cristo para os sofredores. E também se não entraram no Álbum dos Santos oficialmente reconhecidos, esperamos que entrem no Martirologio do Jubileu, como se pode bem esperar.

<<Os textos e as informações são do livro de Ruffini Felice, La vita per Cristo, Edições Camilliane, Torino 1993, pgs 140>>



[1]“Un amore giovane - Scritti di Nicola D’Onofrio, studente camilliano” aos cuidados de F. Ruffini, Postulazione Generale Camilliani, Roma 1990, Lettere autografe n. 3, 30 de julho 1957, p. 117.
[2]Idem, meditação conclusiva dos exercícios espirituais, manhã do dia 6 de outubro, pg. 63
[3]Idem, é a II meditação dos três dias de Retiro, 6 de outubro 1959, pg. 24: tem 17 anos, freqüenta o V ginásio e ainda é aspirante.
[4] Cardone A., Quando l’Amore prega, Studentato Camiliano, 2ª edição, Roma 1968, pg. 56 - O autor era Superior Provincial naquele tempo e dirigiu e seguiu de perto o nosso jovem estudante. O seu testemunho nesse perfil é fundamental, e nos confirmou isso por escritotempo antes de morrer.
[5] A Postulação Geral conseguiu o boletim de inscrição com data de 05-12-1958.
[6] Os documentos que conseguimos no dia 8 de outubro de 1982 atestam que nos registros da sala operatória de urologia Malpighi do Hospital S. Camilo de Roma, resulta que no dia “...30 de julho de 1963, sob o verbete ambul. dos Padres Camilianos, nº de Ordem 277...” foi realizada uma cirurgia pelo dr. G. Tinarelli, e a parte extirpada enviada para o exame histológico”.
[7] No dia 6 de agosto de 1982, a Direção Sanitária do mesmo hospital, com prot. PART 6920DS, nos cedeu cópia conforme o original do exame feito pelo Serviço de Histologia e Anatomia no dia 9 de agosto de 1963, pelo Prof. Tommaso Di Giulio, na parte extirpada a Nicola D’Onofrio, com o diagnóstico de “teratosarcoma”.
[8] A Caderneta Universitária leva a data de 30-10-1963, matricula nº 17533.
[9] Desse exame também existe certificação médica.
[10] Ruffini F., NICOLA D’ONOFRIO - chierico camilliano - TESTIMONIANZE, Postulazione Generale Camilliani, Roma 1983, pro manuscripto, pg. 97, nº 1: “...foi em 1964, janeiro-fevereiro... ‘Caro Tommasino, eu estou morrendo, mas isso não é importante... sinto só pela mãe que vai sofrer muito’”.
[11]Idem, pg. 121, nº 4.
[12]Idem, pg. 122, n. 4
[13] P.M., “IL CH. D’ONOFRIO E S. TERESINA” em Fermento di Vita, revista anexa de “L’Apostolato di Maria”, 12 de julho de 1964, pgs 25-31.
[14] João Paulo II, Carta Apostólica Salvifici Doloris, 11 de fevereiro de 1984, nº 26.
[15] Existia um bonito costume entre os Diretores Espirituais e os Mestres dos Noviços, de sugerir manter um diário aos alunos dos Seminários. A prudente atenção ao nosso jovem foi providencial.
[16]Un amore giovane..., pg. 21 - È o dia 5 de outubro de 1959 e o D’Onofrio é aluno do 5º ginásio.
[17]Idem., pg. 27
[18]idem., pg. 86
[19]idem., pg. 70
[20] Cardone A., op. cit. Pg. 56
[21]Un amore giovane..., pg. 71
[22]idem., pg. 133
[23]idem., pg. 107
[24]idem., pgs. 155, 158
[25]idem., pg. 144s - De Lisieux, 16 de maio de 1964, menos de um mês antes da morte.
[26] Ver nota n. 4 (Quando o amor reza)
[27]Salvifici Doloris, nº 26.
[28] Vd. Idem nº 19.
[29]Perfectae Caritatis, nº 44.
[30]Un amore giovane..., pg. IX